Tudo claro - Antonio Americano do Brasil

Jefferson Severino - 11/02/2020 SC 01571 JP

Tudo claro
Antonio Americano do Brasil

 
Depois da morte, não é o espetáculo grandiloquente dos mundos que te assombrará o espírito redivivo; por mais que se deslumbre a criança num palácio de maravilhas, não se verá exonerada da imposição do crescimento.
 
Tudo é seqüência nos trilhos do Universo...
 
Não terás a maior revelação na luz de Sírio ou na paisagem de Júpiter...
 
A surpresa estarrecedora flui de nós mesmos.
 
Na contemplação do que fomos e somos...
 
Sem subterfúgios...
 
Sem máscaras...
 
Sem mentiras...
 
Tudo lógico, tudo vivo, tudo claro.
 
Enquanto nos sobrepuja a natureza animal, nossa mente rasteja na argila vil, e, em razão disto, havemos de sujeitar-nos a reiteradas experiências no campo físico, em obediência às leis que presidem a vida vegetativa.
 
Quando, porém, a existência nos propicia o ensinamento superior, por se nos ter a tal ponto modificado a estrutura anímica em onda de freqüência já mensurável, a nossa mente, cada vez com maiores responsabilidades, projeta-se em linhas de força de nitidez crescente.
 
As emissões do presente aclaram-nos o pretérito, que então, pode ser fotografado num segundo.
 
Através do hoje, ressurge o ontem...
 
A existência no corpo de carne é a chapa negativa.
 
A morte é o banho revelador da verdade, porque a vida espiritual é a demonstração positiva da alma eterna.
 
Se inutilmente recebemos a lição renovadora do amor, com possibilidades inúmeras para a execução dos desígnios do Senhor entre as criaturas, retendo, em vão, os dons celestes do reconhecimento, então, ai de nós! Porque a justiça nos pedirá contas...
 
Porque a fé nos arguirá...
 
E porque a realidade nos falará duramente...
 
Não olvides que em nós mesmos reside a luz imperecedora que em nosso caminho fará tudo claro, quando a nossa consciência, já esclarecida e responsável, se vê desnuda pelo sopro da desencarnação...
 
Antonio Americano do Brasil
Do livro: Mãos Marcadas
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
 
 
Antonio Amerticano foi filho de Antônio Euzébio de Abreu Júnior (conhecido como Nico Eusébio) e de Elisa Maria de Souza Abreu. Desde cedo, estudou nas escolas mantidas pelos seus pais em Silvânia (GO). Em 1911 ingressou, no Rio de Janeiro, no curso de Medicina, formando-se em 1917. Voltando para o estado natal, dá início à carreira política e atinge a patente de capitão do corpo médico do Exército. Foi Secretário de Interior e Justiça do governo do desembargador João Alves de Castro. Por conta de envolvimentos amorosos, é assassinado em Luziânia pelo agrônomo Aldovrando Gonçalves. 




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